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22/11/2017

PF prende casal Garotinho no Rio de Janeiro

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho (ambos do PR) foram presos pela PF (Polícia Federal) na manhã desta quarta-feira (22) por suspeita de financiamento ilegal de campanha e cobrança de propina. Ele foi preso no apartamento em que vive na capital fluminense. Já ela foi detida em Campos dos Goytacazes, cidade no norte do fluminense, reduto eleitoral da família Garotinho. Rosinha foi prefeita da cidade até o ano passado. O ex-governador comandava uma secretaria na sua gestão.

Segundo o Corpo de Bombeiros, Garotinho foi levado, após exame no IML (Instituto Médico Legal), para o quartel dos bombeiros do Humaitá, na zona sul carioca. Mais cedo, a Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária) havia informado que o ex-governador e Rosinha ficariam detidos na Cadeia Pública Frederico Marques em Benfica, na zona norte carioca, onde também estão presos Sérgio Cabral (PMDB) e outros réus da Operação Lava Jato no Rio.

De acordo com a PF, a ação investiga os crimes de corrupção, concussão (quando o agente público comete crime de extorsão), participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.

Segundo os investigadores, "uma grande empresa do ramo de processamento de carnes" (a JBS) firmou contrato fraudulento com uma empresa sediada na cidade de Macaé (RJ) para prestação de serviços na área de informática. "Suspeita-se que os serviços não eram efetivamente prestados e que o contrato, de aproximadamente R$ 3 milhões, serviria apenas para o repasse irregular de valores para utilização nas campanhas eleitorais", diz a PF em nota. O nome da empresa de informática não foi divulgado.

Um dos delatores da JBS, o executivo Ricardo Saud, disse, em depoimento prestado em agosto, que houve um repasse de R$ 2,6 milhões a Anthony Garotinho.

Além disso, a PF diz que empresários também afirmaram que Anthony Garotinho cobrava propina nas licitações da Prefeitura de Campos, exigindo o pagamento para que os contratos fossem honrados pelo poder público.

Os pedidos de prisão foram feitos pelo Ministério Público Eleitoral. Além de Anthony Garotinho e Rosinha, foram expedidos outros sete mandados de prisão. Entre os alvos, também está um o ex-secretário municipal do governo de Campos Suledil Bernardino. A PF não divulgou os nomes dos outros alvos. 

Um dos delatores da JBS, o executivo Ricardo Saud, disse, em depoimento prestado em agosto, que o valor final repassado a Garotinho sobre aquele contrato ficou em R$ 2,6 milhões. A PF, porém, não indica se é a JBS a empresa envolvida em contratos fraudulentos com a prefeitura de Campos.

Em nota, a assessoria de imprensa de Anthony Garotinho negou as acusações e atacou adversários políticos. O texto atribui a prisão "a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral [Sérgio Cabral, PMDB, ex-governador] na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter".

"O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele ter denunciado Zveiter à Procuradoria-Geral da República".

Na nota, o político afirma ainda que "nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum". "E, conforme disse ontem [terça-feira, 21] no seu programa de rádio, foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sérgio Cabral e Jorge Picciani [presidente da Assembleia do Rio], durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho".

UOL entrou em contato com as defesas de Cabral e Picciani, mas não obteve retorno até o momento. A reportagem também aguarda o posicionamento do desembargador Luiz Zveiter e do juiz Glaucenir de Oliveira sobre as acusações de Anthony Garotinho.

Outras detenções

Na primeira das três vezes em que determinou a prisão de Garotinho, em novembro de 2016, o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral, afirmou que o ex-governador comandava com "mão de ferro" um "verdadeiro esquema de corrupção eleitoral" no município, onde ele e sua família formam uma espécie de clã político.

Anthony Garotinho foi preso na ocasião. Detido, ele causou tumulto ao tentar resistir a deixar um hospitalDias depois, a Justiça mandou soltá-lo.

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Fonte: Uol

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