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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Presidente do BC vê inflação 'bem comportada' e sinaliza novo corte na taxa de juros básicos

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, avaliou nesta terça-feira (2) que a inflação está "bem comportada" e sinalizou que, por isso, o banco poderá continuar reduzindo os juros básicos da economia, atualmente em 7% ao ano, na mínima histórica.

"Sim, a gente tem sinalizado para frente quando a gente vê que tem alguma possibilidade [de redução dos juros]. Que existe a possibilidade, desde que a inflação continue baixa, que os riscos continuem como estão hoje, não fiquem maiores, ou menores. Dado isso, sinalizamos que há uma possibilidade de uma redução moderada da flexibilização monetária, da taxa de juros, mas também falamos que há mais incertezas", declarou, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Goldfajn lembrou que as decisões sobre a taxa básica de juros da economia são tomadas durante as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O próximo encontro está marcado para o início de fevereiro e a expectativa do mercado financeiro é de um novo corte na taxa Selic, para 6,75% ao ano.

"Vamos avaliar, tem mais um mês e pouquinho para decisão. E vamos ver como se desenrola a conjuntura econômica", concluiu ele.

Inflação abaixo do piso da meta de 3% em 2017

Questionado sobre a possibilidade de a inflação ficar abaixo do piso de 3% em 2017, o que levaria o BC a escrever uma carta pública ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando as razões para o descumprimento da meta, Goldfajn afirmou que houve, no ano passado, uma "surpresa agradável" no preço dos alimentos, que caiu cerca de 5%.

"Na parte que tem a ver com o BC, que está sob controle do BC, está muito bem obrigado. [A inflação] está em torno da meta. A parte que levou a uma inflação mais baixa, tem a ver com a parte que o BC não tem controle direto, a inflação de alimentos que caiu, e continua caindo, mas caiu bastante ao longo do tempo. Essa vai ser nossa explicação", disse ele.

Juros bancários

O presidente do Banco Central também afirmou que a instituição está avançando na agenda de reduzir os juros bancários, mas acrescentou que é preciso trabalhar mais. Apesar da queda da taxa Selic, as taxas cobradas pelos bancos estão entre as mais altas do mundo.

"A taxa Selic, quando cai, gera ao longo do tempo uma tendência de queda das outras taxas bancárias, não é imediata. Há outro contexto, a economia está com muita incerteza, volatilidade, leva um pouco mais de tempo do que normalmente", declarou Goldfajn.

Segundo ele, esse é um trabalho "estrutural". "Temos de reduzir os custos, dar competição, melhorar a informação para todo mundo, melhorar a educação financeira. Fizemos a parte da taxa básica, que caiu bastante. Eu diria que ainda tem muito o que fazer, mas no ano passado andamos consideravelmente", afirmou.

Impacto das eleições na economia

O presidente da autoridade monetária afirmou ainda que o país está preparado para qualquer cenário de maior nervosismo no mercado, por conta do impacto das eleições presidenciais no dólar, nos juros futuros e na bolsa de valores.

"Nós estamos entrando em um ano com bastante colchão [proteção], bastante reservas [internacionais], de US$ 380 bilhões, 20% do PIB. Reduzimos swaps cambiais, uma dívida em dólar que tínhamos, começamos com inflação baixa, que também é um colchão. Tudo isso nos dá segurança que estamos preparados para qualquer cenário neste ano", concluiu ele.

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Fonte: G1

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