1/9/2022
Mesmo proibido, cigarro eletrônico tenta resgatar "charme" perdido pelo cigarro comum; pneumologista alerta para novas doenças Mesmo proibido, cigarro eletrônico tenta resgatar "charme" perdido pelo cigarro comum; pneumologista alerta para novas doenças
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Ainda em 2009 a Anvisa baixou uma resolução proibindo a comercialização, importação, publicidade do cigarro eletrônico no Brasil.

O hábito de fumar, apesar de ter sido perpetuado no cotidiano de muitos brasileiros, segue provocando malefícios para a saúde, conforme fazem questão de destacar os especialistas no assunto. Apesar de todas as campanhas de conscientização acerca dos problemas provocados pelo tabagismo, a quantidade de fumantes e os dispositivos utilizados para perpetuar o vício sempre se renovam.

O médico pneumologista e alergologista Sebastião de Oliveira Costa comentou, em entrevista ao ClickPB, que o desafio atual é reverter a mentalidade dos jovens. "A gente vê em todo barzinho, em todo restaurante, em toda festa, os jovens fumando cigarro eletrônico. Hoje, 20% dos jovens brasileiros fumam cigarro eletrônico", citou o especialista.

O cigarro eletrônico foi criado em 2003 pelo farmacêutico chinês Hon Link e começou a se popularizar no mundo inteiro, se apresentando como uma alternativa mais branda para o cigarro convencional. No entanto, com o passar do tempo e intensa disseminação de seu uso, os problemas de saúde foram se apresentando . "O cigarro eletrônico tem substâncias cancerígenas, nitrosaminas, tem o formaldeído, amônia, substâncias que provocam bronquite crônica, efisema pulmonar", detalhou o dr. Sebastião.

Além de provocar as mesmas doenças crônicas do cigarro comum, o cigarro eletrônico também tem a presença da nicotina, substância que gera a dependência nos usuários. A novidade do cigarro eletrônico é uma nova doença pulmonar, de nome Evali. A lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico já levou milhares de pessoas a procurar atendimento médico e ocasionou algumas mortes.

Ainda em 2009 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou uma resolução proibindo a comercialização, importação, publicidade do cigarro eletrônico no Brasil. Apesar disso, a norma é prontamente descumprida. Os cigarros eletrônicos atualmente são encontrados em tabacarias, lojas virtuais e presenciais e são distribuídos até mesmo por delivery.

No último mês de julho, uma operação da Autarquia de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado da Paraíba (Procon-PB), a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa/PB) e a Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de centenas de cigarros eletrônicos e produtos similares que são proibidos para venda e consumo em João Pessoa. A Operação Vape inibiu parte do comércio e uso desses equipamentos, mas ainda há acesso a eles em vários pontos da Paraíba.

Na Paraíba, já existe uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa proibindo a utilização do cigarro eletrônico em ambientes abertos. A lei, proposta pelo deputado Taciano Diniz, que é médico, e sancionada pelo governador João Azevêdo entrou em vigor neste ano de 2022 e pretende auxiliar na prevenção da disseminação do uso do dispositivo que é prejudicial à saúde. O médico Sebastião de Oliveira Costa elogia a iniciativa e comenta que "é uma atitude muito interessante, de proteção aos não fumantes porque o cigarro eletrônico não expele fumaça, mas um vapor que tem muitas substâncias tóxicas que é prejudicial às pessoas que estão ao seu redor".

Combate ao fumo

Os programas de combate ao fumo e busca pela conscientização do problema no Brasil começaram ainda em 1987. Desde essa época o assunto começou a ser trabalhado e debatido em sociedade, o que acabou gerando uma conscientização a respeito dos malefícios do tabagismo. "O que era charmoso e elegante virou antissocial e nocivo", destaca o médico pneumologista Sebastião Costa.

Ele lamenta ainda que o que se viu em outra época agora não está igual. Enquanto que o hoje adulto, que vivenciou as campanhas de conscientização, entende os malefícios e prejuízos proporcionados pelo cigarro, o adolescente e jovem não tem tanta noção do que se trata. "A gente está aí tentando reorganizar, redirecionar nossa estratégia de ação para que a gente trabalhe essencialmente a cabeça do fumante. Essa coisa só muda quando houver essa reversão de mentalidade que houve com o adulto também", comenta o médico em entrevista ao ClickPB.

Números preocupam

Os números desastrosos chamam atenção. No período de janeiro de 2021 até abril de 2022, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 591 pessoas na Paraíba faleceram em decorrência de doenças associadas ao tabagismo. Em todo o Brasil, estima-se que 443 pessoas morrem por dia devido ao tabagismo.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, revelou que a Paraíba contava com o maior número de fumantes diários de tabaco no Nordeste. De acordo com os dados da pesquisa, 11,1% das pessoas com 18 anos ou mais na Paraíba mantinham o hábito de fumar diariamente em 2019. Este número representava o total de 331 mil pessoas, segundo o IBGE.

O hábito de fumar diariamente era mais comum em paraibanos entre 40 e 59 anos, representando 15% do total. As pessoas com idade superior a 60 anos apareciam logo em seguida, representando 12,5%. Apesar de a proporção de fumantes diários na Paraíba ter sido a maior do Nordeste, superando a média de 9,5% encontrada na região, foi menor do que a média nacional, de 11,4%.

Portalpatos

Fonte: ClickPB

Por Camila Bezerra

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