O diagnóstico precoce de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) assegura um tratamento mais efetivo e que evita complicações para o paciente. Esta semana, profissionais do Ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh) realizaram uma ação educativa com o objetivo de alertar para o diagnóstico precoce desses males, especialmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.
A atividade ocorreu na quinta-feira, 26, numa iniciativa dos gastroenterologistas Marcelo Vicente e Fernando Jorge Nóbrega, com apoio do gerente de Atenção à Saúde do HULW, médico José Eymard Medeiros, que participou das discussões sobre a sensibilização. “Como médico, também atendo a pacientes com DII, mas no momento minha colaboração principal como gestor é auxiliar no que for necessário para fazer o ambulatório funcionar”, afirma Eymard Medeiros. O evento foi uma forma encontrada pelo hospital-escola para aderir à campanha Maio Roxo realizada pela GEDIIB (Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite), cujo intuito é conscientizar a população sobre o tema.
“As doenças inflamatórias intestinais eram tradicionalmente doenças de países ricos, desenvolvidos, então a sua incidência era relativamente baixa. Mas a gente tem percebido, nos últimos anos, um aumento significativo nos países subdesenvolvidos e especificamente aqui no Brasil, e há pesquisas que mostram isso”, explica o gastroenterologista Marcelo Vicente. Entre 2012 e 2020, a soma de casos novos e casos antigos de doenças inflamatórias intestinais no Brasil aumentou 14,87%. Passou de 30,01 por 100 mil habitantes, em 2012, para 100,13 por 100 mil habitantes em 2020, conforme estudo da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).
Para o médico Marcelo Vicente, há duas possibilidades para o aumento dos casos no Brasil: um maior conhecimento sobre as doenças inflamatórias intestinais, e não só da população, mas também das entidades médicas e dos profissionais por meio de campanhas como essa realizada no HULW; e as mudanças no estilo de vida dos cidadãos.
“A gente está se assemelhando aos países desenvolvidos em coisas ruins também: a exposição à poluição, a produtos químicos e ao cigarro; e os maus hábitos alimentares de fast food. Então, o aumento da percepção e do diagnóstico e a mudança dos hábitos alimentares têm trazido muito mais casos para a gente nos consultórios”, explica o gastroenterologista. Ele ressaltou que, na Paraíba, o Hospital Universitário Lauro Wanderley é referência no cuidado a pacientes com doenças inflamatórias intestinais.
“Nós temos um serviço multidisciplinar (que envolve por exemplo gastroenterologia, colonoscopia, enfermagem e nutrição) para tratar pacientes com esses males e somos referência no Estado”, explica Marcelo Vicente.
TRATAMENTO EFETIVO ASSEGURA QUALIDADE DE VIDA
Também gastroenterologista do HULW-UFPB/Ebserh, o médico Fernando Jorge Nóbrega explica que as DII são mais frequentes em adolescentes e adultos jovens, na faixa etária de 15 a 40 anos. “A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa estão relacionadas a fatores genéticos, imunológicos, ambientais, alimentares e à alteração da flora intestinal. A doença de Crohn também está associada ao fumo, e alguns estudos mostram que o tabagismo pode agravar a condição clínica do paciente”.
Fernando Jorge lembra que as DII não têm cura, mas o tratamento efetivo assegura uma vida com qualidade e capacidade de trabalho. “Uma intervenção medicamentosa precoce pode trazer qualidade de vida e diminuir o risco de complicações de forma significativa, inclusive de cirurgia e de morte”, destaca.
ALGUNS SINTOMAS EXIGEM ALERTA
De acordo com o gastroenterologista Marcelo Vicente, é preciso estar alerta para alguns quadros. “Dor abdominal, mais classicamente de cólica; diarreia, mas principalmente se tiver sangue; perda de peso; e anemia não explicada são sinais que devem fazer pensar nas doenças inflamatórias intestinais”, explica.
Como alguns desses sintomas costumam acometer boa parte da população em algum momento, o especialista esclarece: “Claro que existem diagnósticos como infecções intestinais e intoxicações alimentares que também dão esses sintomas. Então, o grande ponto é: se você tiver esses sintomas e eles persistirem por mais de quatro a seis semanas, isso já serve de alerta para procurar um gastroenterologista e investigar doenças inflamatórias intestinais”, orienta Marcelo Vicente.
Atenciosamente,
Angélica Lúcio - Jornalista
Unidade de Comunicação Social
HULW-UFPB – 27.05.2022